Ser santo! Quantas vezes você já se pegou pensando ou refletindo sobre como alcançar a santidade? Se a sua resposta for “muitas vezes”, então a reflexão que apresentamos aqui é para você!

Mas, afinal, o que significa ser santo? É ascender aos altares e realizar feitos extraordinários? Ou será que a santidade reside em algo mais profundo, mais simples e acessível a cada um de nós? Vamos descobrir!

O que é ser santo?

A santidade, palavra que ecoa nos corredores da história e nos recantos mais íntimos da alma, muitas vezes é vista pelo católico como um ideal inalcançável. Como se fosse algo reservado a poucos escolhidos.

Contudo, o Papa Francisco, em sua exortação apostólica Alegrai-vos e Exultai, nos oferece uma visão mais próxima da realidade. Ele escreveu: “O Espírito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus” (nº1). Logo, essa simples afirmação nos revela um mistério profundo: a santidade não é um privilégio exclusivo, mas um dom que o Espírito Santo derrama abundantemente sobre todos os batizados.

Portanto, somos todos vocacionados e chamados a ser santos!

Por que todos somos chamados a esta sublime vocação?

A resposta reside na própria natureza de Deus. Ao nos criar à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,26), Deus nos dotou de uma sede insaciável de amor e felicidade.

Nesse sentido, a santidade é a resposta a essa sede profunda, é a plena realização de nosso ser. E ao nos tornarmos santos, nos unimos mais plenamente a Deus, fonte de todo bem e de toda perfeição.

A Palavra de Deus nos diz: “sede santos, porque Eu sou santo” (Lv 11, 45; cf. 1 Ped 1, 16). Portanto, cada um em sua vocação, em sua condição de vida (religiosa, sacerdotal, leiga, matrimonial) é chamado pelo próprio Deus à perfeição. E cada um por seu próprio caminho!

Mas como ser santo no dia a dia?

A santidade não se resume a grandes gestos ou a momentos de êxtase espiritual. Ela se manifesta nas pequenas escolhas, nas atitudes cotidianas, no amor incondicional ao próximo. Portanto, é no perdão, na paciência, na humildade, na oração perseverante que encontramos o caminho para a santidade.

O Bem-Aventurado Francisco Jordan, fundador da Família Salvatoriana, nos oferece uma visão inspiradora sobre ser santo. Em suas alocuções, ele afirma: “Quão pouco se valoriza e quão pouca consideração se tem para com esta verdade, de que nos devemos tornar santos”. Para ele, a santidade não é um ideal distante, mas um chamado urgente, uma missão a ser cumprida.

Desse modo, o Bem-Aventurado Francisco Jordan nos convida a nos tornarmos a imagem de Cristo, a nos assemelharmos a Ele em tudo.

Além disso, ele nos lembra que a santidade não é um fardo, mas um dom que nos conduz à felicidade plena. “Numa palavra, chamou-nos para que nos tornemos santos”, afirma ele. “Chamou-nos para que, já aqui na terra, pela santidade de vida, nosso agir seja fecundo em bênçãos, em felicidade e salvação, e para que possamos gozar, um dia, da glória dos Santos no céu”.

Ser santo é nossa identidade

Muitos de nós, quando contemplamos o modelo de santidade dos santos mais conhecidos da Igreja acaba por desanimar-se neste caminho, pois pode lhe parecer que a santidade é algo inatingível.

Contudo, cada um tem seu próprio caminho para a santidade, o que significa que cada um de nós terá suas experiências pessoais e particulares para alcançar a santidade.

Neste sentido, o Papa Francisco nos recorda: “Há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós” (Alegrai-vos e Exultai, nº 11). Por isso, ele aconselha: “Importante é que cada crente discirna o seu próprio caminho e traga à luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf. 1 Cor 12, 7), e não se esgote procurando imitar algo que não foi pensado para ele”.

Portanto, a vocação à santidade é um convite a uma vida mais plena, mais significativa, dedicada a seguir os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo, o Divino Salvador.

Desse modo, ser santo é viver a descoberta de nossa verdadeira identidade como filhos de Deus. E ao abraçarmos esse chamado, encontramos a alegria, a paz e a felicidade que tanto buscamos.

Que a intercessão de todos os santos, e especialmente do Bem-Aventurado Francisco Jordan, nos inspire a trilhar este caminho de santidade, transformando o mundo à nossa volta em um reflexo da beleza de Deus.